Título: Os Primeiros Dias / Peeps
Autor: Scott Westerfeld
Ano de lançamento: 2008 (BR) / 2005 (US)
Editora: Galera Record
Páginas: 332
Vampiros, de novo? Mais vampiros?
VAMPIROS?
Sim e não. Embora a onda de vampirismo tenha ocupado espaço massivo nas prateleiras de livrarias nos últimos anos e alguns romances tenham surgido só pela onda, Scott Westerfeld novamente surpreendeu, usando uma abordagem completamente inovadora.
Claro, eventualmente é possível achar por aí um livro que trate o vampirismo como uma doença como outra qualquer, mas o nível de pesquisa e apresentação de argumentos do autor em Os Primeiros Dias é simplesmente surpreendente demais para descrever. Não são apenas termos difíceis e suposições aleatórias – há uma mitologia e uma história plausível por trás dos Peeps de Westerfeld.
Peep – ou Parasita Positivo – é como se chamam os hospedeiros, como Cal, o protagonista. Eles podem ser loucos devoradores de gente (daí o mito do vampiro), ou podem ser seres humanos normais com mais força e sentidos muito mais aguçados.
A história em si não é extremamente impressionante. É, no entanto, interessante ao extremo. A trama se desenvolve bem e os personagens são super legais, do tipo que o leitor se apega. Mas esses são afinal, só os primeiros dias. O enredo se desenvolve até a metade e o restante da história deve estar em Os Últimos Dias, o que não quer dizer de maneira alguma que este é um livro ‘mal-acabado’. Os Primeiros Dias é um livro de introdução à realidade criada por Westerfeld e seu plot é bem trabalhado (o que me parece ser característica do escritor <3), deixando clara a existência de uma continuação sem tornar a qualidade e o acabamento da obra dependente dela.
Uma das partes mais interessantes do livro foi a descrição dos ciclos parasitários que Cal narra esporadicamente durante a história. Levemente nojento, óbvio, mas para as pessoas que gostam de saber ‘por saber’, tipo aqueles que compravam chicletes big-big só pela figurinha de curiosidades (ou estudantes de biologia, como o protagonista), é um tipo de overload de informação muito bem-vindo, ainda mais se você se interessa em doenças, sintomas e vias de contágio (eu gostei, principalmente por trabalhar na área da saúde).
O trabalho especulativo na série Vampiros em Nova York é afiado e bem elaborado, e apresentá-lo de maneira que pareça possível tanto no presente quanto no passado é uma conquista que considero tão válida quanto criar todo um futuro. O universo de Os Primeiros Dias é uma premissa de Apocalipse – uma distopia em estágio inicial, satírica (principalmente quando fala de burocracia), um tipo de alarme silencioso do fim do mundo como o conhecemos. Não é tão cheio de reviravoltas e emoções quanto a série Feios do mesmo autor, no entanto, é tão inteligente quanto – talvez mais.
Há, inclusive, dicas de higiene, cuidados para evitar parasitas e coisas que se deve fazer para manter-se longe do posto de hospedeiro. Além disso, no fim do livro o autor apresenta uma bibliografia de pesquisa.
Os Primeiros Dias não é, nem de longe, mais um livro de vampiros. É inovador, afiado, bem elaborado e muito bem contado. Scott Westerfeld surpreende, ensina e entretém ao mesmo tempo. Vale as horas gastas para ler e muito mais.
"Esse é o problema em relação aos parasitas: Não dá pra saber quem são a galinha ou o ovo."
"O Registro tem dois lemas. O primeiro é:
Os Segredos da Cidade São Nossos.
O outro:
NÃO, NÃO TEMOS CANETAS!"
Essa é uma resenha da Dominação Distópica
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Parece ser bem interessante o livro. Curiosa!
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