Resenha "O Temor do Sábio", de Patrick Rothfuss

10 de abr de 2013 5 comentários


Título originalThe Wise Man's Fear

Autor: Patrick Rothfuss

Editora: Sextante

Data de lançamento: 2011

Número de páginas: 960



O Temor do Sábio é o segundo volume da série A Crônica do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss.

Apesar das quase mil páginas, a leitura flui muito bem e, quando percebemos, o livro já chegou ao fim. 

Na minha opinião, é a melhor série de fantasia atual. Patrick Rothfuss conduz a trama de forma magistral e entrega uma experiência única ao leitor.

Personagens cativantes e muito bem construídos, bem como todo o universo criado pelo autor. Percebemos o crescimento dos personagens, o livro evolui juntamente com eles e suas ações. Pra quem achou o primeiro volume um tanto monótono em muitos momentos, neste temos muito mais aventuras e um ritmo mais interessante, apesar de um começo que demora um tanto a engrenar, mas nada que quebre a experiência.

A narrativa continua fantástica, como no primeiro livro, cheia de detalhes e particularidades que mostram a preocupação do autor com sua construção. Aproxima o leitor, faz com que nos sintamos envolvidos com o que está acontecendo ali naquelas páginas, sem conseguir largar o livro até a última palavra.


Vale lembrar que a série é uma trilogia, mas o terceiro volume ainda não tem previsão de lançamento!
Se você já leu O Nome do Vento, sugiro fortemente que coloque este livro como prioridade em sua fila de leitura. Se não leu, está esperando o que?!

E pra você que está atrás do livro, aproveito e deixo aqui a dica de um novo site de descontos pra algumas das melhores lojas de venda online: a CupoNation. Lá encontramos descontos para o Submarino, FNAC, Saraiva, Lojas Americanas, entre outras. Vale a pena dar uma passada lá antes de fechar a compra! ;)





Avaliação final: 5/5

Resenha de A Garota do Espelho de Prata, de Laura M. Castro

24 de fev de 2013 6 comentários


Título: A Garota do Espelho de Prata
Autor: Laura M. Castro
Ano de lançamento: 2011
Editora/Selo: Novos Talentos
Páginas: 259

Esse livro é uma mistura de feelings difícil de descrever;
A Garota do Espelho de PrataAGEP para os íntimos – foi uma surpresa total, não porque eu não esperava que fosse bom, mas porque não esperava que fosse tão adorável.
Anne mora num universo diferente do nosso: Lá, a luta pela liberdade ocorre diariamente. Os Kingdom Fighters, ou KF, são perseguidos e também perseguem, batendo de frente com o governo opressor de Nicolau Cortéz, um ditador que depôs a Monarquia de Ciwan e colocou-se no poder. Apesar de ter um fundo político não muito explorado, o livro deixa-o implícito e com contornos bem traçados, focando a narrativa no romance, nas pessoas, relações e sentimentos.
A maior surpresa da leitura é não conseguir deixar de sorrir pela primeira metade. Os personagens, o romance e a amizade retratados são simplesmente A-DO-RÁ-VEIS. Tem uma vibração positiva, nostálgica e deliciosa.
Com personalidades marcantes, Laura M. Castro mostrou as partes mais divertidas da juventude, as divergências e dúvidas da adolescência, a dinâmica de grupos e o amor em suas formas mais simples. Sei que soa como se eu fosse uma velha falando de um romance, e acho que parte disso se deve ao fato de a autora ser mais nova do que eu. Mas é verdade: AGEP é jovem, dinâmico e super divertido.
Mesmo na tristeza e na guerra, a narrativa continua fácil de acompanhar, e mesmo quando o coração aperta dá pra sentir esperança. Esse livro é muito assim: Sobre esperança. Sobre perder e encontrar, sobre amar e ser amado, lutar, perder e vencer.
Se há defeitos, creio que se deva ao fato de o final ser bem rápido e sem tantos detalhes específicos sobre a guerra, mas muito disso se deve a ser um livro que não tem por objetivo narrar tais acontecimentos, e sim a história das pessoas que os viveram; No mais, um ou outro detalhe que eu alegremente relevo.
Se há qualidades, é a presença de uma magia tão simples e fantástica que, em determinados momentos, me fez falta – sério, ninguém aí sabe o quanto eu daria para ver uma luta entre duas Medianas (que são meninas com o dom da magia através da dança). Imaginem duas garotas com o Dom dançando em combate! Acrescento que ela (a magia) foi elaborada de maneira muito simples, direta e fácil de entender, sem diminuir de maneira alguma o alcance e as nuances.
No fim das contas, considero A Garota do Espelho de Prata um tipo de xodó – é adorável (usei essa palavra várias vezes, mas acreditem, não foi por acaso), jovem, um pouco de ar puro nesse nosso mundo de desespero. Uma leitura que adoça a vida <3.

 “Hey, Ann! – gritou o moço, quando a outra já ia longe, fazendo com que ela se virasse. – Você vai pelo menos considerar a proposta?
-Sobre me mudar como refugiada? – gritou ela de volta.
-Não, sobre casar comigo!”

“-Foi essa guerra... – ela prendeu um soluço. – Porque a realidade da guerra... – respirou fundo – é que ela leva as pessoas que nós amamos.”

Unboxing: Harry Potter Wizard's Collection

8 de fev de 2013 4 comentários


O Omelete publicou um unboxing da caixa completa, contendo 31 discos, em Blu-ray e DVD, da série Harry Potter. Além dos filmes e extras, ela inclui mapas, livretos e outros acessórios, como as horcruxes. Vale a pena dar uma conferida:


E aí, disposto a desembolsar () 2 mil reais por essa coleção aqui no Brasil?

Segue a lista completa do conteúdo da caixa:

Assista ao fenômeno cinematográfico em alta definição e redescubra o mundo de Harry através dos materiais especiais lançados ao longo de um processo de produção que durou uma década inteira, incluindo as 8 partes da série de documentários “Criando o Mundo de Harry Potter”, sequências de bastidores, cenas adicionais e um exclusivo disco bônus. Acompanha 8 cópias digitais (1 para cada filme).

EXTENSOS MATERIAIS ESPECIAS:

- Documentário Criando O Mundo De Harry Potter em cada Filme incluindo os novos: Parte 7 - História e Parte 8 -  Crescendo;
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1: Por Trás da Magia;
- Harry Potter: Na Estrada;
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2: Por Trás da Magia;
- A Última Defesa de Hogwarts;
- Bastidores, entrevistas, cenas deletadas, trailers de cinema e muito mais.

EXCLUSIVO, DISCO BÔNUS:

- Quando Harry Deixou Hogwarts (Versão Estendida): Ouça histórias sobre os últimos dias no set, neste olhar por trás das câmeras;
- Os 50 Maiores Momentos de Harry Potter;
- Desenhando o Mundo de Harry Potter;
- Segredos Revelados! Quadribol: Para os departamentos de câmera e efeitos especiais, as empolgantes cenas envolvendo as partidas de Quadribol exigiram plataformas especiais e o design de centenas de cenas. Finalmente, os segredos por trás dos voos são revelados.
- Segredos Revelados! Hagrid: Pela primeira vez, conheça os truques de câmera, towering stand-in e volumosos trajes de corpo por trás do personagem, que parecia ser duas vezes mais alto e três vezes mais largo do que um homem comum.
- Os Harry Potters Que Você Nunca Conheceu: Conheça os dublês para Dan, Rupert e Emma à medida que demonstram como eles equilibravam seu importante trabalho nas cenas de perigo com movimentos quase imperceptíveis imitando os atores que eles representavam, e compartilhe com eles seus momentos preferidos.

CAIXA BOX CONTÉM:

Mapa de Hogwarts, Catálogo de Artefatos, Esquetes Impressos pelo Designer de Produção Stuart Craig, Medalhão Horcruxes, Frames com Pinturas conceituais, Planta do Castelo de Hogwarts, Livro com selos da Coleção.

Internet e Relacionamentos

28 de jan de 2013 3 comentários




Que atire a primeira pedra quem nunca conheceu alguém pela tão grandiosa internet. Eu mesma mantenho um relacionamento de 6 anos que começou com conversas online, e tenho vários amigos que conheci por redes sociais.

A internet hoje em dia é a maior ferramenta para aproximação de pessoas, seja na mesma cidade ou em continentes diferentes. E foi exatamente essa a maior revolução quando ela surgiu, já que antigamente essa proximidade, na maioria das vezes, era muito mais difícil. Para se conhecer pessoas novas era preciso sair de casa, e a comunicação com amigos distantes era feita por meio de cartas, um processo muito mais demorado. Há também o fato de ser muito mais fácil encontrar aquele amigo que há muito tempo você não conversa, por não ter como contatá-lo.

A internet nos proporciona a descoberta de novos horizontes. E é com essa ideia que venho apresentar aqui no blog a rede social Badoo, onde você encontra uma infinidade de maneiras para se relacionar com pessoas do Brasil e do mundo através de chat para bater papo e muitas outras maneiras para encontrar aquele amigo de infância ou aquele parente distante, faça agora mesmo a experiência!


Postagem publieditorial

Booktour - A Garota do Espelho de Prata, de Laura M. Castro

4 de jan de 2013 3 comentários


Olá, leitores!

Agora que 2013 começou, vamos a Dominação Distópica chega na reta final. Pra terminar com um toque de carinho, o Li Um Livro iniciou um mini Booktour do livro A Garota do Espelho de Prata, de Laura M. Castro, autora nacional publicada pelo selo Novos Talentos do Grupo Editorial Novo Século.
Esse livro adorável já foi lido aqui e sua resenha será postada ao final do Booktour; Até lá, que tal dar uma olhada nos Distritos que vão receber o livro?



Distrito 7 - THAT'S US!



É isso; Fiquem de olho! 



Resenha de A Primeira Noite, de Marc Levy

22 de dez de 2012 3 comentários


Título Original: Je Premiére Nuit
Autor: Marc Levy
Ano de lançamento: 2012
Editora/Selo: Suma de Letras
Páginas: 339

ESSA RESENHA CONTÉM SPOILERS DE O PRIMEIRO DIA!


A Primeira Noite é a conclusão da aventura iniciada por Keira e Adrian em O Primeiro Dia (cuja resenha você lê aqui). Nessa continuação, surpreendentemente, não houve problemas com a narrativa; A história discorre muito mais dinâmica, apesar de ainda não ser exatamente um thriller de ação. O humor na narrativa também é um pouco mais explícito, assim como o romance. Praticamente todos os pontos negativos que apontei no livro anterior foram melhorados.
Logo no início, vemos a busca por Keira, presumidamente morta na China, mas sem um corpo para provar. Uma foto enviada anonimamente chega às mãos de Adrian e o tira do torpor no qual se via desde a separação ao final de O Primeiro Dia.
A busca e seu resultado acabam se mostrando surpreendentes; a construção da narrativa até chegar ao ponto em que se descobre o que era a procura por Keira é instigante, e descobrir o que aconteceu a ela é inesperado e, em falta de palavra melhor, interessante.
Além disso, há a busca pelos outros objetos que supostamente formarão um mapa do céu em tempos passados – tão distantes que chegam a ser inacreditáveis. O cerco aperta com as tentativas da misteriosa organização que atuava contra os dois desde o livro passado e mais pistas vão sendo colocadas na trilha em busca da verdade sobre a origem da humanidade. O livro tem um ritmo bom, ágil sem ser corrido, e os truques e fugas dos personagens contra seus perseguidores são criativos e dão um ânimo a mais na leitura.
Além disso, os personagens secundários são mais explorados, ganham mais destaque, revelam personalidades interessantes e tomam partes importantes da história, desempenhando ajuda ou impedimento muito relevantes no desenrolar da aventura em busca dos fragmentos. Ivory e Walter em especial tem papéis indispensáveis e bem apresentados.
O desfecho foi acertado; Boa parte da decisão de gostar ou não dele tem a ver com as opiniões pessoais do leitor sobre o rumo da nossa ciência e religião, então eu prefiro descrevê-lo como ‘correto’. Há coisas que devem ser reveladas e segredos que devem ser guardados, e quais fatos se encaixam em que categorias foram decisões que os protagonistas tomaram baseados não apenas neles e em suas crenças, mas na sociedade como ela é agora. Pessoalmente, eu gostaria que tivesse sido apenas levemente diferente, mas a escolha do autor para o término de seu romance foi o ideal.
Como pontuado na resenha de O Primeiro Dia, Marc Levy parece ser mais voltado para o público adulto. Nada impede que outros leitores mais jovens se aventurem em seus livros, muitos apreciam o estilo; Acredito, inclusive, que quem ficou na dúvida em O Primeiro Dia vai de fato apreciar A Primeira Noite. É uma leitura bem mais descomplicada, divertida e que prende o interesse com um plot que envolve não apenas a origem do ser humano, mas o que ele se tornou.
Confira o Booktrailer do livro:

Apoio:


The Hedwig Files #2 - Filmes Distópicos

1 de dez de 2012 2 comentários


Olá, Tributos!

Cá estamos com mais um Hedwig Files. Dessa vez, nossa adorável coruja traz dica de filmes bons para ver dentro do universo distopia que estamos explorando nos últimos meses.

Claro, tem muitos que eu não conheço e vários que ainda não vi, mas acho que essa pequena lista pode adicionar sim às suas vidas. Não vai torná-los inteligentes nem mudar suas percepções de vida, mas como todo livro, filme e produto, vai exercitar suas mentes críticas, e esse é um dos objetos da nossa querida Dominação Distópica.

Então, vamos falar de filmes?

Minority Report (Minotiry Report – A Nova Lei), 2002.
Minority Report é ficção científica, baseado num conto homônimo de Philip K. Dick. Fala de um futuro sem assassinatos, onde o mundo é vigiado pelos Pre-Cogs, humanos perturbados que por variados motivos tem visões do futuro. Com acesso a essas visões, a Divisão Pré-Crime consegue prever e impedir homicídios. O problema é que, ao impedir os crimes e prender os perpetradores, eles deixam de ser criminosos propriamente ditos, e então surge o questionamento: É correto prender essas pessoas?
Essa é uma pergunta que o protagonista John Anderton, vivido por Tom Cruise, não tem muito tempo para responder. Numa das visões dos Pre-cogs, é previsto que ele cometeria um assassinato, o que acaba tornando-o um fugitivo de seu próprio departamento. Minority Report fala sobre liberdade de escolha, linhas do tempo e divaga também sobre direitos humanos. É um desses filmes que, apesar de não ser exatamente novo, também não é completamente antigo, e vale a pena ser visto e revisto. E, se você já viu, ou já leu o conto, eu escrevi um comparativo pro Distrito 5, mas tem spoilers. Leia aqui.

Never let me go (Não me abandone jamais), 2010
Já temos resenha do livro aqui. Não me abandone jamais fala de um mundo como o nosso, em que há pessoas que tem um motivo especial para existir. Elas se tornam cuidadores e, depois de algum tempo, doadores. A vida dessas pessoas é pré-determinada do início ao fim, e é da perspectiva de Kathy H, uma cuidadora que em breve se tornará doadora, que vemos o desenrolar de uma história que fala muito de existência, amor, motivação e determinismo. Apesar de, em geral, a história não se focar nas disfunções da sociedade retratada, ainda é um filme que vale a pena ver; As insinuações e situações implícitas, as entrelinhas dos acontecimentos e a união entre suposições e realidade é algo digno de análise.


The Incredibles (Os Incríveis), 2004
Não, tipo, é sério. Os Incríveis, pra quem não conhece, é uma animação da Pixar. Distopia Sátira, o filme retrata uma família super comum, com o adicional de ter membros com super poderes.
O pai, também conhecido como Senhor Incrível, e a mãe, ex Mulher Elástico, foram super-heróis até que a sociedade se voltou contra eles. Agora, escondidos das pessoas que protegiam com ajuda do governo, eles são... Normais. Ou quase.
Apesar de estar sendo indicado numa coluna da Dominação Distópica, dou ênfase nesse filme como uma ótima animação e um filme de super-heróis que deve ser assistido. Pessoalmente, é o meu favorito da Pixar. É engraçado, emocionante, dinâmico... e Engraçado de novo.

The Book of Eli (O Livro de Eli), 2010
The Book of Eli é um filme pós-apocalíptico; Nele, a humanidade sofreu um colapso, e tudo agora é raro: Água, comida, pessoas mais velhas, civilização. Poucos sabem ler, alguns ficaram cegos por causa do sol, a maioria não é muito confiável. Eli tem um livro, e tem que levá-lo para um lugar onde é muito necessário, mesmo não sabendo exatamente onde é esse lugar. No entanto, há um homem desesperado e disposto a todo tipo de atrocidade para conseguir se apossar da informação e do poder que se escondem nas páginas carregadas e lidas religiosamente todas as noites.
Esse é um filme surpreendente, que fala sobre fé, desespero e o poder da palavra. Apesar de fazer alusões claras à religião, não é um sermão e não tenta salvar sua alma descaradamente.

Gattaca (Gattaca – Experiência Genética), 1997
Gattaca (<3) segue uma linha similar a Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. A história se passa num tempo futuro, quando as imperfeições humanas foram eliminadas através da concepção in vitro. Ainda existem pessoas concebidas de maneira natural, mas estas, por terem defeitos comuns como miopia e maior suscetibilidade a problemas de saúde como condições cardíacas, diabetes, pressão alta e etc, são incapazes de se encaixar apropriadamente dentro de um mundo tão perfeito.
A narrativa segue Vincent, concebido naturalmente, que durante toda a vida sonhou em ir para o espaço. No entanto, tendo condições de saúde debilitadas em comparação à população ‘normal’ e vítima constante de ‘discriminação genética’, ele se vê vivendo de empregos na base da pirâmide social. Para realizar suas aspirações, ele se torna um ‘borrowed ladder’, fingindo ser geneticamente perfeito como todos os outros e assumindo a identidade de Jerome, usando de truques e subterfúgios para enganar testes diários de sangue e urina.
Gattaca fala sobre preconceito e as consequências de uma sociedade formada de indivíduos perfeitos; Sobre provações e superação. Aborda questões interessantes sobre genética de maneira mais romantizada do que Admirável Mundo Novo e tem várias outras camadas, incluindo investigações de assassinato.


Mais alguma indicação? Me digam o que pensam (:



Resenha de Fome, de Michael Grant

30 de nov de 2012 2 comentários


Título Original: Hunger

Autor: Michael Grant

Ano de lançamento: 2011

Editora/Selo: Galera Record

Páginas: 529                               


Acabou o sorvete, o doritos e a coca-cola. Ninguém cuidou da carne e ninguém aproveitou as verduras, ambos estragados agora, então as crianças de Praia Perdida (na verdade, de todo o LGAR) estão vivendo de enlatados racionados.

Sam Temple, eleito prefeito depois dos eventos catastróficos narrados em Gone, está tendo que lidar com problemas grandes, como a fome que espreita as crianças, e até os mínimos, como pequenos desentendimentos entre irmãos e vizinhos, passando também pelos extremamente preocupantes, como os animais do LGAR começando a sofrer mutações perigosas, assim como as crianças.

Ao mesmo tempo, acompanhamos várias histórias diferentes, naquele ritmo dinâmico apresentado em Gone. Michael Grant continua a prender em sua narrativa rápida, tensa, cheia de reviravoltas e definitivamente cruel. A falta de comida está levando crianças ao extremo, os humores estão voláteis, todos estão preparados para odiar uns aos outros pelos menores e mais insignificantes motivos. Todos querem alguém para culpar e pequenos conflitos estão tomando proporções gigantescas.

Esse livro foi como um divisor de águas para as crianças de Praia Perdida. A partir do momento em que o problema não é mais apenas a saudade dos pais ou irmãos mais velhos, passando a englobar a necessidade de cuidar dos menores, procurar mais comida e preservar um mínimo de semelhança com a sociedade civilizada em que viviam antes, todos passam a ter problemas graves. Além das disfunções que atingem o grupo como um todo, há também as questões individuais, as dúvidas que assombram alguns personagens, como a crescente exaustão de Sam, a loucura de Drake e as dúvidas de Astrid, sem contar os avanços silenciosos da Escuridão e seus chamados sussurrantes.

Somando-se a esses problemas, não se pode deixar de citar as segregações sociais que começam a se formar de maneira desorganizada movida de preconceito, medo e um desprezo tão ríspido que é quase impossível acreditar que seja praticado por pessoas tão jovens; Ou pior, é tão crível que torna a realidade assustadora em sua similaridade com a ficção.

A verdade é que toda a narrativa é alucinante por motivos diversos. Pessoalmente, acho fascinante essa construção cuidadosa que parece estar crescendo e se expandindo, indo de crianças atrapalhadas e levemente egoístas para pessoas desesperadas e por vezes cruéis. O poder que troca e destroca de mãos, as intenções e necessidades de cada personagem são expostos de maneira crua, a loucura e a violência cada vez mais frenética são fantásticas em um nível de entretenimento que atinge ápices extremos e é simplesmente fantástico.

A escuridão avança, chamando e tocando várias de suas vítimas, enlouquecendo aos poucos e ao mesmo tempo de maneira gritante. Toda descrição do estado mental de Lana, Drake e Cain prendeu completamente a atenção.

Gone foi feroz. Fome mantém o nível e é instigante, voraz e maldoso das maneiras mais desesperadoras. Assim como o livro anterior, é delicioso, fácil, difícil e um desses que fazem valer a pena perder algumas horas de sono. 


“-Você não poderia ter feito nada, Sam – disse Edilio, conhecendo aquela expressão no rosto do amigo, conhecendo aquela expressão cinzenta, abalada, aquela culpa. – É o LGAR, cara. É só o LGAR.”

“...Não quero que a vida deles seja mais fácil. Quero que eles sofram. Quero que sofram de todo modo que for possível. E depois quero que morram.”

“Nos velhos tempos Cookie havia sido um valentão grande e idiota, uma espécie de Orc de segunda. Continuava não sendo exatamente um gênio. Mas seu coração tinha se transformado com os dias de sofrimento, e qualquer maldade que existisse nele tinha sumido. Agora havia em Cookie uma espécie de pureza, ele parecia inocente demais para Lana. Um encontro com a Escuridão poderia acabar com isso. A criatura da mina havia deixado sua mancha na alma dela, e ela não queria que a mesma coisa acontecesse com seu leal protetor.”

Essa é uma resenha da Dominação Distópica - Filhos do Átomo:



Apoio:



Não se esqueça de participar do sorteio de Gone e Fome pela Dominação Distópica, até o fim de novembro! CORRE!

Resenha de Os Últimos Dias, de Scott Westerfeld, e sorteio de Vampiros em Nova York

28 de nov de 2012 0 comentários


Título Original: The Last Days

Autor: Scott Westerfeld

Ano de lançamento: 2009

Editora/Selo: Galera Record

Páginas: 327                             

Scott Westerfeld é uma lindeza literária e eu já deixei isso claro várias vezes nas minhas resenhas, certo? Pois é, ‘Os Últimos Dias’ não é nem de longe o melhor livro dele, mas ainda assim é bom. Minha opinião é parcial, mas acredito sinceramente que ele não tenha livros ruins, pelo menos para mim.

Ao começar, senti uma falta tremenda do Cal (de Os Primeiros Dias) e dos ciclos parasitários. A verdade é que os personagens dessa continuação não foram tão divertidos, porque a narrativa se dividiu em partes praticamente iguais entre todos eles e não deu tempo de explorar o humor como no primeiro livro; Ao invés disso, o foco foi a banda sem nome que eles estavam formando, deixando o apocalipse iminente em plano de fundo durante boa parte da história. Pelo menos os ciclos parasitários tiveram um substituto bem legal – páginas das anotações do Prefeito da Noite.

Apesar de ainda preferir o Cal (porque, sério, eu gostei muito dele), não me desfaço dos personagens novos. Alana Ray e Moz, em especial, são super interessantes, ela com seus tiques nervosos e ele com uma personalidade que estou começando a associar diretamente ao autor: garoto charmoso, meio tímido e bobo apenas o suficiente para divertir, sem deixar de ser inteligente.

Os Últimos Dias conta a história do fim do mundo, que serve de pano de fundo para uma banda muito saneira que começou com dois guitarristas de um solo só sendo guiados por uma garota prodígio musical de Julliard. Os capítulos são, na verdade, nomes de bandas. E, apesar de ser uma continuação em ritmo e direção completamente diferentes do que eu esperava, o final foi um tiro certeiro, no ritmo dinâmico e familiar do autor. Quanto mais eu leio, mais acredito que Westerfeld pode escrever sobre tudo o que quiser e apresentar um trabalho de qualidade.

Apesar de falar pouco dos peeps, o livro fala bastante da crise sanitária que começa a assolar New York e dá pontos de referência interessantes, como os gatos e seus exércitos de roedores, a população debandando aos poucos e outras dicas de que o mundo está acabando. Além disso, a própria música tem um papel importante que é muito interessante e levemente cômico.

Os sussurros de apocalipse iniciados em Os Primeiros Dias se tornam gritos de guerra contra vermes gigantes em Os Últimos Dias, e como série os dois cumprem seu papel de maneira formidável. O desfecho foi tão interessante que me fez até querer um livro só sobre os dias descritos. Infelizmente, acabou. Mas é o que eu falei, leitura de qualidade do autor não falta, e até agora ele não desapontou.

Fiquem então com uma música da banda do capítulo 7:


"Como posso ter tanta certeza sobre essa cantiga, se todos os especialistas discordam?
Eu comi o garoto que a criou."

"Tínhamos de nos tornar mundialmente famosos logo, enquanto ainda existisse um tipo de mundo para nos reconhecer."

"A Peste Negra foi impulsionada pela guerra, pelo pânico e até pelo clima, mas não encontrou um aliado melhor do que a estupidez humana. Às vezes, é de se perguntar como nossa espécie chegou a esse ponto."


E, agora que resenhamos essa dupla de livros no blog, vocês se interessaram em ler? Aproveitem então, porque esse é um sorteio de Os Primeiros Dias e Os Últimos Dias, de Scott Westerfeld.

Leia as regras (MUITO IMPORTANTES!) e boa sorte!


Essa é uma resenha da Dominação Distópica:

Apoio:


Resenha de Estilhaça-me, de Tahereh Mafi

25 de nov de 2012 2 comentários


Título Original: Shatter me

Autor: Tahereh Mafi

Ano de lançamento: 2012 (US - 2011)

Editora/Selo: Novo Conceito

Páginas: 302                               


Loucura!

Estilhaça-me começa sem preparação e sem consolo para o leitor desavisado: Quem narra a história é Juliette, uma garota trancada sozinha há mais de 200 dias, e ela não está bem. Economizando a tinta da caneta quebrada, e no entanto riscando pensamentos desconexos de seu diário, ela pode irritar confundir se você não chegar chegando na leitura. Nem sempre completamente composta, ela explica o que precisamos saber desse ambiente distópico – como o mundo está diferente, como os pássaros não voam e como a natureza está devastada. Fala sobre o Restabelecimento e suas falsas promessas.

Apesar de ter todo um fundo político e distópico, Estilhaça-me não se vende exatamente por isso. Ainda é, em primeiro lugar, um romance. Fala de relacionamentos complicados e de pessoas levemente desequilibradas ou dissimuladas. A construção dos personagens é, apesar disso, incrivelmente crível.

Juliette não pode tocar em pessoas; Quando ela o faz, causa sofrimento, dor e, eventualmente, morte. Vamos todos ser sinceros aqui e admitir que qualquer um que leu a descrição da personagem ou mesmo o próprio livro fez a comparação com certa rebelde mutante; eu também fiz. A verdade é que a carência de afeto de Juliette e seus questionamentos e anseios lembram sim essa personagem, mas gostaria de pontuar que a versão mais conhecida dela hoje em dia é a adolescente que nós vimos na TV durante toda a infância, não a clássica série em que seus cabelos eram mais longos e ela voava LIKE A BOSS. I rest my case.

Continuando, Juliette conquistou minha simpatia porque, numa descrição piegas e dramática, a autora tornou-a um ser humano raro e bom. Bom no melhor sentido da palavra – aquele em que a pessoa pensa nos outros antes de pensar em si mesma, em que ela se odeia quando machuca outrem; Ansiando por um toque gentil e um alguém que realmente se importe, que a veja como pessoa e não arma ou monstro, ela mostra uma inocência ingênua que, apesar de piegas e dramática como já pontuado, é digna de simpatia.

Quando você não tem acesso ao mínimo de carinho e gentileza, eventualmente deve tornar-se desequilibrado ou amargurado de tal forma que tudo o que quer fazer é jogar de volta no mundo uma parte do sofrimento vivido; Juliette não faz isso, e apesar de acreditar que ela seria igualmente interessante se fosse o tipo dissimulado, a versão escolhida pela autora me pareceu acertada.

Outro personagem válido é Warner. Com algumas atitudes que parecem beirar uma insanidade incrivelmente lúcida, ele é interessante, insistente, irritante e desconfortavelmente delicioso de ler (tanto que eu até peguei Destroy-me, narrado por ele, para ler). Em contrapartida, há Adam, um salvador, amigo e muito mais para Juliette. Aquele em quem por diversos motivos ela confia. É interessante a construção dos relacionamentos que envolvem esse trio de personagens.

Não dá pra dizer que o relacionamento romântico do livro é exatamente consistente; muito dele é baseado em situações que não dá pra entender, como o isolamento social prolongado, a ausência de contato físico e as agressões psicológicas que os personagens sofrem na e desde a infância. Portanto, claro, eu acredito que os dois estejam apaixonados, mas em geral não sei se o que eles tomam por amor é isso mesmo ou apenas uma conseqüência do isolamento e da carência.

Falando agora dos ‘coadjuvantes’, acho que há um leque bem extenso deles, se ganharem mesmo mais destaque nas continuações como creio que acontecerá. Alguns já ganharam características marcantes, facilitando na hora de situá-los na história. Provavelmente não apenas os personagens secundários, mas também o próprio cenário e distopia ganharão um panorama amplo e, oremos, bem trabalhado.

Estilhaça-me tem também uma linguagem poética que deve ser ressaltada. Para alguém que fala tão pouco, Juliette usa figuras de linguagem como poucos em sua narrativa. Há uma visão romântica e um toque de poesia em sua perspectiva do mundo e dos acontecimentos ao seu redor. Tahereh Mafi tem um talento discreto para criar imagens e associar a fatos na cabeça do leitor.

Enfim, Estilhaça-me é um desses livros cuja definição de bom ou ruim depende do leitor, mas a mim agradou muito. É fácil de ler, tem uma história interessante, um final com abertura perfeita para continuação e personagens que podem crescer e se expandir em participação e contexto. É uma história que pode ganhar o leitor, independente dos comparativos e riscos escolhas de recursos na narrativa.

“O mundo é achatado.
Sei porque fui atirada da margem do planeta e há dezessete anos ando tentando me segurar. Há dezessete anos tenho tentado escalar de volta, mas é quase impossível quando ninguém está disposto a lhe dar a mão.”

“Os pássaros costumavam voar, é o que as histórias dizem. Antes de a camada de ozônio ter se deteriorado, antes de os poluentes terem transformado as criaturas em algo horrível incomum.”

Essa é uma resenha da Dominação Distópica - Filhos do Átomo


Apoio:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Li Um Livro © 2011 | Designed by LiUmLivro